A luta do forró gospel

Colaborou Marcelo Guimarães



O final dos anos 80 foi um período marcante para a música gospel. Segmento até então caracterizado pela pouca diversidade rítmica, o gênero abarcaria outras sonoridades, iniciando uma mudança que se reflete até os dias de hoje. Tornaram-se comuns grupos de rock, MPB e rap, cujas letras são hinos de louvor.



O forró também foi um dos ritmos assimilados pelo gospel. Seu surgimento aconteceu em fins do século XIX, no nordeste brasileiro, onde eventos conhecidos como “forrobodó” animavam a população da região. O reconhecimento do gênero por parte da mídia se deu durante a década de 50, quando artistas como Luiz Gonzaga conquistaram grande destaque.



O forró gospel, no entanto, ainda é um segmento que luta por maior espaço. Bandas como Som e Louvor, Louvart e os Cabras de Cristo, e cantores como Jacymario vão, aos poucos, chamando a atenção da mídia. “Creio que há um crescimento e aceitação do gênero. Aqui em Natal mesmo, já fomos matéria em jornais seculares, bem como tivemos matéria especial produzida para TV. Só não foi ao ar porque a captação do áudio não ficou boa”, lembra Kleber Nobre, integrante do conjunto Cabras de Cristo.



Outra questão importante diz respeito a espaços para shows. Kleber afirma que, quanto ao seu grupo, não há do que reclamar. “Somos um segmento ainda incipiente no gênero musical, mas o lançamento dos nossos dois primeiros CDs lotou o auditório do CEFET. Participamos ainda da abertura do show do Ministério Apascentar e de Eyshila e a aceitação foi muito boa”, garante o músico e pastor.



O cantor e repentista Jacymario, por sua vez, chama a atenção para a facilidade de se organizar um show do ritmo nordestino. “Qualquer espaço compatível com outro gênero pode servir para o forró, obviamente com uma identidade visual do ritmo, sendo inclusive um dos eventos mais práticos que existem, bastando uma zabumba, um triângulo e uma sanfona para se fazer um bom pé de serra louvando ao Senhor, claro que ligado a um bom som”, afirma o artista.



Boa parte dos compositores de forró gospel possui algo em comum: a declarada influência que sofreram dos artistas seculares do gênero. Nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Elino Julião, entre outros, servem como referência para as composições desses músicos. “Como nós não inventamos o forró, é impossível não haver influências de fora do mundo gospel”, conclui Kleber Nobre.


Agência Unipress Internacional



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